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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Os 400 anos de Cabo Frio





















Cabo Frio completa 400 anos. 

São 400 anos de belezas naturais, mas 400 anos também de sofrimento para grande parte de sua população, de injustiças sociais em que apenas meia dúzia de pessoas tiveram acesso a todos os bens econômicos, sociais e culturais disponíveis.  

Ao longo desses 400 anos, vimos a vegetação da restinga quase desaparecer, sua fauna sofrer um impacto praticamente irreversível e o patrimônio histórico da cidade se deteriorar. 

Ao longo desses 400 anos, vimos a área agrícola entrar em crise com o fim de mão de obra farta provida pela escravidão. Vimos a emergência de um novo produto dominante, o Sal, e todo um sistema econômico, político e social se erguer em torno dele.  

Ao longo desses 400 anos vimos o Sal ser substituído pelo Sol quando, ainda nos anos cinquenta, a cidade inverteu sua prioridade e deixou as salinas de lado para viver do turismo. Mas, junto com esta inversão, veio algo desconhecido até então: a especulação imobiliária, que acabou com as Dunas e invadiu espaços antes consagrados somente a natureza. 

Recentemente,  vimos chegar a economia dos royalties e com ela assistimos esse mesmo turismo se deteriorar, com a vinda para cá de um turista que não traz retorno e nem deixa saudades, embora, pelo seu grande volume, ainda sustente uma rede hoteleira e de restaurantes carente de boa clientela.  

Hoje já estamos, porém, vivendo o início da era do Pós Royalties, ou pelo menos vendo agonizar uma economia que se acostumou com o dinheiro entrando fácil, mas saindo mais fácil ainda.

Cabo Frio terá que se reinventar novamente se quiser chegar aos próximos 400 anos como uma sociedade minimamente viável. Terá que renovar sua economia, mas sobretudo renovar a qualidade de seus homens públicos, grandes responsáveis, nesses últimos anos, por quase todos os males que agora assistimos.   

Um comentário:

Gabriel De Biase disse...

"Essa obra é porque precisamos repensar a cidade pro pós-petróleo".
"O petróleo vai acabar, mas esse chafariz vai gerar empregos pra nossa cidade "
"Preparar a cidade para o turismo, para o pós-petróleo.. Essa é a nossa missão"

20 anos vivendo o pós petróleo. E quando ele finalmente chega......