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domingo, 19 de julho de 2015

Um crime que chocou nossa cidade

Jornal O Globo
 A triste história do patriarca da família Mônica 

































Arquivo Meri Damaceno
 Os três irmãos Mônica em 1912. José Bolaes é o da sua direita




































Arquivo Meri Damaceno
Maria Bolaes Mônica, uma das filhas de José Bolaes























Peço licença aos parentes ainda vivos da família Mônica para contar para as novas gerações a história triste que afetou parte da família.

Os Mônica chegaram por aqui no século XIX. José Bolaes Mônica era um português trabalhador, ligado a motores, alguns deles movidos por moinhos, uma coisa comum no século XIX e início do XX em Portugal e no Brasil. 

Em nossa cidade, a família Mônica prosperou. Possuíam dois moinhos e negócios com sal. E terras. Eles conheciam motores como poucos. A ponto de ajudarem o avião de Gago Coutinho e Quintino Bocaiuva quando este enguiçou na cidade em 1922. Prósperos, os Mônica geraram admiração, mas também inveja. 

José Bolaes, o mais velho, inteligente e bem formado dos três irmãos, certa vez discutiu com um homem por causa de política e chegou as vias de fato. Grande, José Bolaes parece ter dado uma sova em Joaquim Vaz (o Mato Grosso), seu adversário. O homem, então, chamou seus irmãos e, armado, tentou se vingar. José Bolaes, em legítima defesa, acertou dois dos irmãos com uma arma (dizem que de chumbinho) e matou um deles, um rapaz chamado Argemiro, de 14 anos. 

Vendo que foi legítima defesa, a polícia não prendeu José Bolaes, o que revoltou a família da vítima. Dois meses depois, o pai e os irmãos do falecido Argemiro armaram uma tocaia e assassinaram José Bolaes quando este voltava da igreja com os filhos e a esposa. O crime ocorreu na Passagem em maio de 1926 e chocou a cidade. 

Parte da família Mônica (esposa e filhos de José Bolaes) foi embora. No exímio livro Guardas da Memória, de Meri Damaceno, Maria Bolaes Mônica, uma das filhas, disse mais. Depois do assassinato de seu pai, as terras deles foram roubadas pelo padre local e por uma das ricas famílias da cidade. 

A família se dividiu em três. Uma segunda parte da família Mônica ficou na cidade, e uma terceira parte foi para Araruama, parte essa da qual o ex prefeito André Mônica é descendente. 

A parte que ficou por aqui prosperou. O mais conhecido deles, Américo Mônica, foi mecânico de embarcações. Homem forte e belo (a ponto de impressionar o cronista Mário Filho), era, porém, um ser pacífico. Américo foi zagueiro e técnico do Luzitano, clube que amava e que reunia a colônia portuguesa na cidade, clube que se constituiu no mais antigo e nobre rival do Tamoyo em Cabo Frio.   

Um comentário:

Nilton Monica disse...

LENDO ESSA MATÉRIA , LEMBREI DE MUITAS HISTÓRIAS CONTADAS PELO MEU PAI, ALBERTO BOLAES DA MONICA, EU NILTON BOLAES MONICA, ME PARECE QUE ESSA HISTORIA TEVE ALGUNS OUTROS DESDOBRAMENTOS, MAS FOI VERDADE.